Você não quer dever a coelhos

Ingrid Rodrigues • 17 de novembro de 2024

An.to.lo.gi.a. s.f.: conjunto formado por diversas obras (literárias, musicais ou cinematográficas, por exemplo) que exploram uma mesma temática, período ou autoria. (Definição do site: Enciclopédia Significados).


Antologias sempre foram minha categoria favorita de livros, especialmente quando falamos de terror. Quando fui chamada para ajudar na organização de Patrão, me vê a conta foi um daqueles momentos onde sentimos que é o nosso chamado particular. Anteriormente já havia trabalhado em uma antologia, Rebobine o medo, cinco amigos e eu nos juntamos com ideias, escrita, prompts e etc para montarmos a nossa antologia.


Infelizmente ela já está fora de circulação na Amazon.


Por que estou falando disso? Bem, organizar uma antologia de forma independente e através de uma editora é bem diferente, não é mais fácil ou mais difícil, é apenas isso: diferente.


Do processo de publicação do edital até o lançamento do livro, cada pessoa na diretoria da Boteco ajudou a formar um livro incrível do qual estamos muito orgulhosos. Nos dedicamos para criar uma antologia coesa, com contos diferentes, mas que conseguissem transmitir a ideia inicial que deu o pontapé ao projeto e a editora de certa forma: um boteco e coisas fora do comum.


Patrão, me vê a conta é um conjunto de contos excelentes, cada um tratando do mesmo tema a sua maneira, deixamos que o leitor escolha o seu favorito, tem conto pra todo mundo, mas também é formado por todas as pessoas por trás da escolha dos contos, da leitura crítica, da revisão, da organização dos contos, do design de capa, da diagramação e etc. Com o selo PQP (Padrão de Qualidade Perpétuo) de aprovação, convido a todos para que conheçam essa antologia tão especial para todos nós da diretoria.


E sempre se lembre de pagar a conta, você não quer dever a coelhos, acredite em mim!

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Por Andre Braga 17 de novembro de 2024
Como editor-chefe do Boteco Editorial, eu deveria me manter neutro. Deveria dizer que gosto igual de todas as nossas antologias, que não tem filho favorito, essas coisas. Mas sabe o quê? Isso seria uma grande mentira. Eu tenho predileção pelo terror pulp , pelas narrativas escrachadas, pelo absurdo que não serve a outro propósito senão o de ser inexplicável. Essa é a minha formação no gênero, a bem da verdade. Na minha adolescência, lia revistas de terror em quadrinhos, como a Kripta , a Spektro e a Calafrio . Na televisão, tinha Além da Imaginação e, no cinema, não posso deixar de mencionar o icônico A loja dos horrores , que mistura terror e comédia na dose certa. Mais tarde, vieram Arquivo X , Lost! e, mais recentemente, saiu O gabinete de curiosidade de Guillermo del Toro , com o seu imperdível episódio sobre ratos e ladrões de túmulos. Essa é a minha praia. Não por acaso, o conto que mais gostei de escrever na minha carreira até hoje foi Hiperosmia, que está em Boteco Maldito . Mas quando se trata de antologia, da obra completa, da coisa que se encaixa de tal forma que você olha e pensa: "Mas pode isso?"; daí eu não tenho como não preferir Contos de Além-Mar . A mais nova antologia do Boteco Editorial é o mais puro suco do horror do absurdo. Em seus contos, nada precisa fazer sentido e tudo, no fim das contas, se encaixa perfeitamente. Há quem diga que estão todos mortos, e isto aqui não é spoiler . Há quem diga que tudo não passa de um pesadelo, outros afirmam que Pasmaceiras é o inferno ou o purgatório. Todas essas especulações são válidas e nenhuma delas precisa ser verdadeira. Porque, como já dizia o agente Mulder , a verdade está lá fora . O problema é que, em Pasmaceiras, a verdade parece estar lá dentro das mentes das almas que à ilha foram condenadas. Venha ler o nosso horror do absurdo e crie as suas próprias teorias da conspiração.
Por Clarice 17 de novembro de 2024
Um poema de Clarice. Trilhavam caminhos, entre palavras e emoções, Do inferno ao planalto, em meio ao caos e as paixões, Atrás do tempo, com desmedidas ilusões, Por trilhos infernais, considerando as razões. Nobres escritores, almas perdidas, Por onde vem, por onde vão. Sentados em um Boteco Pedindo a conta ao patrão. Ansiavam por contar, escrever, com fé e sangue, Contos noturnos, trevas desmedidas, Vagando como sombras da morte, Preenchendo realidades por linhas perdidas. Nobres escritores, almas perdidas, Por onde vem, por onde vão. Sentados em um Boteco Pedindo a conta ao patrão. Formando grades que nos separam Da eterna dúvida ou da desilusão, Do amor e da guerra entre personagens Com metáforas e macabras intenções.